ESCALAFOBÉTICO, ESTRAMBÓTICO E HISTRIÔNICO
[Pra você que chegou agora, essa é uma edição especial do zine. Nessa edição o colunista Franco Fanti assumiu a edição de Editor, escolheu o tema e escreveu o Editorial apresentando o mesmo. Tudo, claro, feito com muita irresponsabilidade e sangue no olho (o mel da cachaça).]
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0_EDITORIAL
Franco Fanti
1_SORTE DOS CAVALOS QUE DEITAM PARA COMER NA SOMBRA
Letícia Novaes
2_PAPEL DE PAREDE
Gabriel Camões
3_SEGURA QUE É BADEJO
Keli Freitas
4_CONCUBINAS PELICANO
Gabriel Pardal
5_ACIDENTAL
Júlio Reis
6_OLHA-LÁ
Maria Rezende
7_ O QUE FALAR QUER DIZER
Ramon Mello
Se tem uma coisa que eu não sei fazer muito bem - além de receber presentes, fazer imitações, vomitar por vontade própria - é festejar o ano novo. Não que eu seja esse personagem avesso à comemorações coletivas, multidões, festas em geral, etc, quase pelo contrário, porque sou um carnavalesco de primeira, quero dizer, me refiro ao carnaval da pipoca da Bahia e ao carnaval de rua do Rio - não gosto dos camarotes nem da sapucaí. O ano novo pra mim mais parece um apocalipse do mal do que uma comemoração do bem. Parece que estão todos correndo para se salvar do Titanic afundando no Atlântico. Uma correria disgramada de gente de um lado pro outro até a meia noite da virada com todo mundo gritando e olhando aqueles fogos no céu que depois de 28 anos assistindo não tem mais nenhuma graça pra mim, francamente. Fora o fato de que o verdadeiro ano novo é o seu aniversário, não a virada desse ano de calendário, onde parece que comemoramos a virada de trabalho, como se o trabalho fosse a coisa central da vida. De modo que os melhores Reveillons da minha vida foram aqueles em que desapareci. Em um deles, inclusive, provavelmente o melhor, talvez, fui acampar com uns poucos amigos no coração da Bahia para não ouvirmos nem vermos fogos no céu, e como não tínhamos relógio, ficamos sem saber quando tinha virado o ano e meio que nos abraçamos uma centenas de vezes até dormirmos. Assim também, nesse ano, vou viajar para longe dessa muvuca “feliz”, dessa perseguição pela “realização” e pelo “sucesso” e pela “felicidade”, pelo salva-se quem puder.