ORNITORRINCO

EDIÇÃO #043

ESCALAFOBÉTICO, ESTRAMBÓTICO E HISTRIÔNICO

[Pra você que chegou agora, essa é uma edição especial do zine. Nessa edição o colunista Franco Fanti assumiu a edição de Editor, escolheu o tema e escreveu o Editorial apresentando o mesmo. Tudo, claro, feito com muita irresponsabilidade e sangue no olho (o mel da cachaça).]

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0_EDITORIAL
Franco Fanti

1_SORTE DOS CAVALOS QUE DEITAM PARA COMER NA SOMBRA
Letícia Novaes

2_PAPEL DE PAREDE
Gabriel Camões 

3_SEGURA QUE É BADEJO
Keli Freitas

4_CONCUBINAS PELICANO
Gabriel Pardal 

5_ACIDENTAL
Júlio Reis

6_OLHA-LÁ
Maria Rezende 

7_ O QUE FALAR QUER DIZER
Ramon Mello 




ORNITORRINCO 2013

Se tem uma coisa que eu não sei fazer muito bem - além de receber presentes, fazer imitações, vomitar por vontade própria - é festejar o ano novo. Não que eu seja esse personagem avesso à comemorações coletivas, multidões, festas em geral, etc, quase pelo contrário, porque sou um carnavalesco de primeira, quero dizer, me refiro ao carnaval da pipoca da Bahia e ao carnaval de rua do Rio - não gosto dos camarotes nem da sapucaí. O ano novo pra mim mais parece um apocalipse do mal do que uma comemoração do bem. Parece que estão todos correndo para se salvar do Titanic afundando no Atlântico. Uma correria disgramada de gente de um lado pro outro até a meia noite da virada com todo mundo gritando e olhando aqueles fogos no céu que depois de 28 anos assistindo não tem mais nenhuma graça pra mim, francamente. Fora o fato de que o verdadeiro ano novo é o seu aniversário, não a virada desse ano de calendário, onde parece que comemoramos a virada de trabalho, como se o trabalho fosse a coisa central da vida. De modo que os melhores Reveillons da minha vida foram aqueles em que desapareci. Em um deles, inclusive, provavelmente o melhor, talvez, fui acampar com uns poucos amigos no coração da Bahia para não ouvirmos nem vermos fogos no céu, e como não tínhamos relógio, ficamos sem saber quando tinha virado o ano e meio que nos abraçamos uma centenas de vezes até dormirmos. Assim também, nesse ano, vou viajar para longe dessa muvuca “feliz”, dessa perseguição pela “realização” e pelo “sucesso” e pela “felicidade”, pelo salva-se quem puder.

O ORNITORRINCO em 2012 foi uma sopa de letras. Os mais malucos temas foram destrinchados pelos mais loucos colunistas e colaboradores. Demos prosseguimento ao exercício de criar em palavras um sentido para seguir avante. Como escreve o Michel Leiris ”a atividade literária, no que ela tem de específico como disciplina do espírito, não pode ter outra justificação a não ser iluminar certas coisas para si próprio ao mesmo tempo que elas se tornam comunicáveis para outrem, e que um dos objetivos mais elevados é restituir por meio das palavras certos estados intensos, concretamente experimentados e tornados significativos para serem postos assim em palavras”. 
No final ainda tivemos uma festa de encerramento, com os colunistas atacando de DJs, e a primeira edição do REPÚBLICA ORNITORRINCO, onde conversamos e versamos sobre os mais aleatórios assuntos já vistos na fauna e flora. Aqui encerramos dois-mil-e-doze, ufa. Por hora, fiquem com Esqueceram de Mim inédito na TV, o champagne e esses efêmeros fogos artificiais na cabeça do céu. 
Ano que vem tem muito mais aventuras gostosas pra você 
(versão Herbert Richards)
Voltamos no domingo 13/01/13 
- o fim do mundo ainda tá valendo ou já passamos por ele?

E por aí, continuamos por aqui: 
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La vou em em meu eu oval.
É baaaaaala.
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Gabriel Pardal
Editor